Sou a Dra. Laice Cunha, cirurgiã ortopedista com atuação exclusiva em pé e tornozelo, e se existe uma condição que vejo diariamente no consultório — tanto em mulheres quanto em homens — é o joanete.

Alguns pacientes chegam por dor. Outros, pela dificuldade de usar calçados. Mas muitos chegam trazendo algo que não aparece nos exames: o incômodo emocional de conviver com um pé deformado.

– “Doutora, eu evito sandálias há anos.”
– “Tenho vergonha de mostrar meus pés.”
– “Não é só dor, é como eu me sinto.”

 

E isso precisa ser levado a sério.

 

O que é o joanete — e por que ele piora com o tempo

O joanete é uma deformidade progressiva do pé, caracterizada pelo desvio do dedão em direção aos outros dedos, formando aquela saliência óssea na lateral.

 

Com o passar do tempo, ele pode causar:

  • dor ao caminhar;
  • dificuldade para usar calçados comuns;
  • inflamação local;
  • sobrecarga nos outros dedos;
  • alteração da forma do pé e da marcha.

 

Em muitos casos, tratamentos conservadores ajudam por um período. Mas quando a deformidade progride, a cirurgia de joanete passa a ser a única forma de correção definitiva.

 

A cirurgia de joanete mudou — e mudou muito

Durante muitos anos, a cirurgia de joanete esteve associada a procedimentos mais agressivos, com cortes extensos, longos períodos de recuperação e resultados que, apesar de resolverem a dor, muitas vezes deixavam cicatrizes ou rigidez.

Hoje, a realidade é outra.

“A cirurgia que muitos pacientes ainda imaginam não é a cirurgia que fazemos atualmente.”

 

Nos últimos anos, houve uma evolução muito grande nas técnicas cirúrgicas, especialmente com o avanço das técnicas minimamente invasivas, que permitem corrigir o joanete com:

  • incisões menores;
  • menor agressão aos tecidos;
  • mais precisão no alinhamento do pé;
  • recuperação mais confortável e progressiva.

 

Por que busco referências fora do Brasil

Desde o início da minha trajetória como cirurgiã, entendi que, se eu quisesse oferecer o que existe de mais moderno aos meus pacientes, eu precisaria buscar conhecimento além do que era tradicionalmente ensinado.

Ao longo dos últimos dois anos, já realizei mais de 400 cirurgias, o que me permitiu não apenas domínio técnico, mas algo igualmente importante: sensibilidade para individualizar cada caso.

Nenhum pé é igual ao outro.
Nenhuma cirurgia deve ser “de prateleira”.

 

Técnica minimamente invasiva vs. cirurgia aberta: o que muda para o paciente?

Nas técnicas mais modernas, conseguimos corrigir o desalinhamento ósseo do joanete preservando estruturas importantes do pé, o que impacta diretamente em:

  • menos dor no pós-operatório;
  • melhor mobilidade;
  • retorno mais previsível às atividades;
  • resultado mais harmônico do pé como um todo.



Quando o joanete afeta mais do que o caminhar

Muitas mulheres convivem com a deformidade por anos, adaptando roupas, calçados e até situações sociais para esconder os pés.

“Eu não sinto tanta dor, mas me incomoda olhar para o meu pé.

Essa frase é mais comum do que se imagina. E ela é legítima.

 

O que mais me gratifica como cirurgiã

É ver uma paciente voltar ao consultório diferente. Mais confiante. Sem vergonha. Usando o sapato que gosta. Caminhando com segurança.

É devolver liberdade, conforto e autoestima.

Se você convive com o joanete e sente que ele já impacta sua rotina, seu bem-estar ou a forma como você se vê, saiba que a cirurgia de joanete evoluiu muito — e que hoje existem abordagens muito mais modernas e humanas do que no passado.

 

A avaliação individual é sempre o primeiro passo.